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voto consequente

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

SOCIEDADE EXIGE VOTO ABERTO NO CONGRESSO

O diretores Jovita Rosa, Márlon Reis e representantes de entidades do MCCE, entre elas a CNBB, entregaram na tarde desta quarta-feira (13/06), o cartaz que representa a coleta de mais de 65 mil assinaturas em favor do Voto Aberto. As assinaturas foram obtidas por petição eletrônica, em menos de 24 horas, pela mesma entidade internacional que coletou quase meio milhão de assinaturas pela Ficha Limpa, a Avaaz.

Em reunião do MCCE no gabinete do Senador Pedro Taques (PDT/MT), a diretoria fez a entrega das assinaturas ao senador que ressaltou a importância de o assunto ser votado naquela casa antes do recesso, dia 17 de julho. Taques lembrou que a PEC 06/2012 está em debate nas redes sociais e que conta com a colaboração da Rede MCCE para pressionar o Senado na votação.

Logo depois o grupo foi recebido pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), que também recebeu as assinaturas e afirmou que pautará o assunto após a Conferência Rio + 20, onde segundo ele, vários parlamentares do Senado participam. O presidente afirmou ainda que três textos que tratam do fim do Voto Fechado já estão em discussão no Senado Federal.

A diretoria do Movimento avalia a importância da mobilização social nas redes digitais e lembra que se já fosse válida a coleta de assinaturas por meio eletrônico a projetos para Lei de Iniciativa Popular, poder-se-ia, com essa média de 65 mil assinaturas/dia, ultrapassar a quantidade mínima de assinaturas para a apresentação ao Congresso Nacional de um projeto de lei vindo do povo.

ascom_mcce
www.mcce.gov.br




Mandato de deputado estadual é cassado por compra de votos


Decisão do TSE atende recurso da Procuradoria Regional Eleitoral no Amapá

Nesta quarta-feira, 12 de junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato do deputado estadual Ocivaldo Gato (PTB), conhecido como Gatinho, por compra de votos nas eleições de 2010. Pelo crime, o parlamentar também foi condenado ao pagamento de multa no valor de R$ 25 mil. A decisão atende recurso da Procuradoria Regional Eleitoral no Amapá (PRE/AP).

Para a maioria dos ministros, “as contas de água e luz, de IPTU e os boletos de inscrição em concurso público de eleitores - algumas pagas - demonstram que Ocivaldo Gato ofereceu benefícios a eleitores em troca de votos, o que é proibido pela Lei das Eleições (Lei 9504/97)”.

Denúncia recebida pelo site da PRE/AP deu início às investigações. Em 18 de agosto de 2010, durante operação da Polícia Federal, Gatinho foi preso em flagrante portando, sem autorização, arma de fogo. Com o deputado, os agentes encontraram expressiva quantia em dinheiro, relação com nomes e números de títulos de eleitores, tíquetes de combustível e material de campanha.

Contas de IPTU, água, energia elétrica e boletos de inscrições em concurso público em nome de terceiros e pagas pelo candidato, também foram apreendidos. Em depoimento, os titulares das contas confirmaram que cabos eleitorais do deputado ofereceram o pagamento das dívidas em troca de votos.

Segundo a lei da Ficha Limpa, com a condenação, Ocivaldo Gato fica inelegível por oito anos. No lugar dele, assume o médico Antônio Paulo de Oliveira Furlan (PTB), primeiro suplente da coligação (PTB/PCB/PSDC/PMN/PTC/PRP).

Recursos – A PRE/AP também recorreu ao TSE para cassação dos mandatos dos deputados estaduais Sandra Ohana (PP), Keka Cantuária (PDT) e Michel JK (PSDB). Os recursos aguardam julgamento.
O deputado estadual Michel JK foi processado pela PRE por abuso do poder econômico. A ação aguarda julgamento no TRE/AP.

Denúncias – O cidadão que souber de algum ilícito eleitoral pode denunciar no site da PRE/AP: www.preap.mpf.gov.br . É importante informar detalhes da irregularidade, como pessoas envolvidas, local e data. Fotos, vídeos e documentos também podem ser enviados.

http://www.preap.mpf.gov.br/news/mandato-de-deputado-estadual-e-cassado-por-compra-de-votos

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Conselho Nacional de Procuradores faz reunião extraordinária amanhã em Macapá


O Encontro terá como pauta o ato de apoio a procuradora-geral de Justiça Ivana Cei e às ações de investigação do Ministério Público Estadual e
Ministério Público Federal no Estado
Macapá será sede da Reunião Extraordinária do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais dos Estados e da União – CNPG, que acontecerá nesta terça-feira, 12, às 10h, no CetaEcotel, cuja pauta será o ato de apoio à procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Amapá, Ivana Lúcia Franco Cei, em razão da tentativa de sua destituição pela Assembleia Legislativa do Amapá e apoio às ações de investigação do Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal no Estado, que vêm sofrendo ataques com o intuito de desacreditar e desmoralizar as referidas instituições no exercício de suas funções.
O Encontro foi convocado pelo presidente do CNPG e procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Soares Lopes, na Reunião Ordinária do CNPG que aconteceu em Palmas (TO), em maio deste ano. Os procuradores visam discutir o apoio à PGJ, que investiga possíveis atos de improbidade na sede da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá e outros assuntos gerais de interesse do Conselho.


Senado deve votar esta semana o fim do voto secreto para cassação de parlamentares


Já está pronta para votação no plenário do Senado a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que institui o voto aberto para cassação de parlamentares.
Amanhã os líderes decidem se o projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS),  será votado nesta quarta-feira.
É grande a movmentação para aprovar a PEC ainda a tempo da decisão sobre o caso do senador Demóstenes Torres.
Os seus advogados argumentam que seria inconstitucional mudar o rito de votação depois que o processo já foi aberto. Por isso, devem entrar com pedido de liminar junto ao Supremo Tribunal Federal.
Mas senadores afirmam que ritos processuais, quando alterados, passam a valer imediatamente para todos os processos jurídicos em andamento. Caso contrário, seria um caos na Justiça do país.

sábado, 9 de junho de 2012

TRE/AP nega pedido da Câmara Municipal de Macapá para aumento de vagas para vereador


A emenda já havia sido aprovada em dois turnos pela Câmara.

Da redação

Foto: Arquivo/a Gazeta
           
Esta semana o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), durante sessão plenária, indeferiu o pedido para o aumento do número de vereadores na Câmara Municipal de Macapá. A instituição decidiu, por unanimidade de votos, negar as alterações nos registros da Justiça Eleitoral.
Os vereadores daquela Casa de Leis já haviam votado e aprovado a Emenda de Lei Orgânica do Município que permite a modificação no quadro dos legisladores, passando de 16 para 23. O trâmite exigido pela Constituição Federal foi cumprido, porém, o TRE-AP não aprovou a mudança.
Se deferido a partir da nova legislatura da Câmara de Vereadores que inicia em fevereiro de 2013, o município de Macapá passaria a ter sete novos parlamentares municipais.
Segundo o presidente da Câmara, vereador Rilton Amanajás (PSDB), todo o processo que solicitava o aumento das vagas recebeu orientação do presidente do TRE-AP, desembargador Raimundo Vales, que informou não ser suficiente apenas citar a Constituição Federal. De acordo com Vales, no texto era preciso indicar os números do IBGE justificando o aumento populacional do município.
O presidente da Casa já havia destacado que a próxima legislatura terá que ampliar a estrutura administrativa. A solução apontada pelo parlamentar seria o aluguel de um prédio anexo ao atual na Avenida FAB para comportar os gabinetes. Com relação aos recursos, Amanajás acredita que para ser suficiente é necessário que ocorra diminuição no número de assessores de cada vereador.
Uma vez aprovado o número de vereadores isso diminuiria o coeficiente eleitoral. Desta forma, um candidato com três mil votos teria possibilidade se eleger. A conta leva em consideração também o comparecimento dos eleitores.
Aprovada em 2009 pela Câmara Federal, a Emenda Constitucional dos Vereadores amplia de 51.748 para 59.791 o número desses cargos no país, representando uma diferença de 7.343, ou seja, 14,1% de ampliação de vagas. A emenda aplica percentuais com base em faixas de população, como determina a Constituição. Os dados do IBGE são utilizados para o cálculo.

http://www.jornalagazeta-ap.com/site/index10.php?p=m&i=1270

Nota do blog


No dia 22 de maio foi entregue na Câmara de Vereadores um abaixo assinado com mais de 2000 assinaturas da população macapaense simbolizando a insatisfação do povo com a tentativa de aumento do número de vereadores. Tal indignação se deu muito mais pela insatisfação do exercício parlamentar dos atuais vereadores do que pelo que representa o aumento do ponto de vista da representação política. De acordo com a população não basta aumentar o número de vereadores e sim melhorar a qualidade dos que são escolhidos nas eleições.
O abaixo assinado com o sentimento da sociedade foi totalmente desprezado pelos vereadores Gian do Nae, Anab Monteiro, Aldrin Torrinha, Adriana Ramos, Acácio Favacho, Pastor Oliveira, Ruzivan, Luizinho, Jaime Perez, Carlos Murilo e Marcelo Dias, que votaram a favor do aumento. Estes mesmos vereadores no início de 2011 ignoraram mais de 6000 assinaturas que pediam a abertura de investigação contra o prefeito de Macapá, Roberto Góes.
Lembrem-se destes nomes nas eleições que se aproximam. 

A Operação Eclésia e o cidadão



Por Paulo Bezerra, mestre em administração pública

A mídia nacional e uns poucos veículos da mídia local publicaram informações sobre a chamada Operação Eclésia, realizada pelo Ministério Público estadual, com a devida autorização judicial, e com o apoio da Polícia Civil. As notícias divulgadas apontam para a existência de fortes indícios de gravíssimas irregularidades na Assembleia Legislativa do Amapá. Vejamos alguns exemplos:
a)         A Assembleia contratou a empresa MFX Ltda e pagou por serviços supostamente prestados o valor de R$ 800.00,00. O endereço da empresa é à Rua Presidente Kennedy, bairro Hospitalidade, Santana/AP, que é o mesmo endereço do casal de sócios. A sócia da empresa é empregada doméstica e o sócio foi servidor comissionado da Assembleia em alguns meses de 2009 e em 2010 e 2011 foi funcionário da empresa LMS Vigilância e Segurança Privada Ltda., no cargo de vigia. Essas informações sugerem que a empresa é “fantasma” e seus sócios são “laranjas”;
b)         Em 3/3/2011, a Assembleia contratou por dispensa de licitação, alegando situação de emergência (que emergência?), a Cooperativa de Transportes de Veículos Leves e Pesados do Estado do Amapá – COOTRAM para locação de veículos para a Assembleia. O contrato tinha vigência até 30/8/2011. Posteriormente a vigência do contrato foi prorrogada até 31/12/2011 (ainda existia a situação de emergência?). Nesse contrato, a Assembleia pagou à Cooperativa o valor total de R$ 4.333.100,00. Não há nenhuma comprovação de que os serviços foram, de fato, prestados. E o que é pior. O diretor financeiro da Cooperativa afirmou à imprensa que a assinatura nos endossos dos cheques não é dele (portanto são falsas). Cheques totalizando mais de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) foram sacados em 2011 diretamente na boca do caixa pelo servidor da Assembléia Gleidson Luiz Amanajás da Silva;
c)         A Assembleia contratou verbalmente (não existe contrato, apenas a adesão a uma ata de registro de preços) a empresa Tapajós Agência de Viagens e Turismo Ltda. para o fornecimento de passagens aéreas. No período de setembro/2011 a março/2012 (sete meses), a Assembleia pagou à Tapajós o valor total de R$ 3.378.040,00. Não há nenhuma comprovação de que os serviços foram, de fato, prestados. Ressalte-se que cada deputado recebe mensalmente verba indenizatória de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e que até pouco tempo era de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para custear as despesas do gabinete inclusive passagens aéreas. Ora, se os deputados recebem tal verba, para quem, são as passagens compradas pela Assembleia? No Portal da Transparência do Governo do Amapá é possível identificar as despesas dos órgãos estaduais com “Passagens e Despesas com locomoção”, no ano de 2011. Vejam alguns exemplos e comparem com as despesas da Assembleia: Polícia Civil – R$ 119.647,00; Polícia Militar – R$ 89.252,00; Secretaria de Educação – R$ 67.633,00; Secretaria da Segurança Pública – R$ 208.388,00; Secretaria de Administração – R$ 26.625,00. Só a Secretaria da Saúde gastou mais do que a Assembleia, e isso por causa do Tratamento Fora do Domicílio – TFD, em que cidadãos fazem tratamento de saúde fora do Estado. Não é um absurdo?
No mesmo dia da Operação Eclésia, a Assembleia criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Ministério Público estadual. Recentemente, segundo a imprensa, a Assembleia aprovou Resolução, proposta pelo deputado Charles Marques, (que nos meses de abril a novembro/2011 recebeu mais de duzentos mil reais em diárias) criando mecanismos para que a própria Assembleia destitua a Procuradora-Geral de Justiça do Estado. São dois claros exemplos de retaliação.
Em nota à imprensa, a Assembleia declarou que não tem nada a esconder. Pode ser que sim. Mas então porque ajuizou duas ações para não entregar ao Ministério Público a relação dos seus servidores? Porque ingressou com ação na Justiça para barrar a Operação Eclésia? Porque não cumpre a Lei da Transparência? Aquilo que consta no site da Assembleia a título de “Transparência” não serve para nada. Não traz nenhuma informação útil ao cidadão. Se a Assembleia não tem nada a esconder, deve publicar na internet a relação de seus servidores; as empresas contratadas, os objetos contratados, e os valores pagos; as diárias pagas aos deputados e servidores; as prestações de contas da Verba Indenizatória, e todas as informações que envolvam recursos públicos.
Onde fica o cidadão? Todo cidadão tem profundo interesse em que os Poderes e os órgãos públicos executem com eficiência, eficácia e efetividade suas competências constitucionais e legais. Isso acontecendo, significa que algumas finalidades sociais serão alcançadas. De igual modo, o cidadão deve ter interesse em que os Poderes e órgãos públicos prestem contas dos recursos utilizados. Afinal de contas, o dinheiro é do povo e não do gestor.
Hoje, muito mais que no passado, resta claro que informação é poder. Ou melhor, no caso da Assembleia Legislativa, a falta de informação é poder. E ninguém abre mão do poder de forma espontânea. Isso significa que a Assembleia só vai cumprir a Lei da Transparência se houver pressão popular. De igual modo, a Operação Eclésia só vai produzir os efeitos desejados pela população, se houver manifestação popular. Este é um momento ímpar na história política local. Os cidadãos, pelo menos aqueles mais esclarecidos, não podem perder a oportunidade de tentar mudar a história do Amapá.

terça-feira, 5 de junho de 2012

AMAPÁ: Uma republiqueta à parte


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Por Cleiton Rodolfo Leite
Sou goiano de nascimento, entretanto moro no Amapá há mais de seis anos. Depois de muita observação em todos os campos - desde o econômico, o cultural e o político - aventuro-me aqui traçar minhas conclusões sobre o que engendra a miséria deste Estado.
O Amapá – assim como os demais ex-territórios da Federação – emancipou-se com a nossa última Constituição, como já deve ser de conhecimento dos ilustres leitores. Entretanto, desde então, não conseguiu ultrapassar sua insignificante participação no PIB nacional, que gira em torno de 0,2%. Ora, já se vão mais de 20 anos de emancipação. O que teria acontecido com os recursos para aqui destinados à época de Território, com a finalidade de desenvolvimento?

"Cheguei à seguinte conclusão: quando aqui era ainda território o que se via era um verdadeiro 'trem da alegria' (...) Criou-se, assim, a famigerada 'economia do contracheque'"

Buscando resposta para a referida pergunta, cheguei à seguinte conclusão: quando aqui era ainda território o que se via era um verdadeiro “trem da alegria”. Governadores nomeados pelo regime militar destinavam recursos provindos do Planalto Central para contratações de correligionários políticos – muitos sem competência alguma, até mesmo semianalfabetos – causando um inchaço na máquina administrativa, mas que não resolvia em nada no que diz respeito ao desenvolvimento econômico, devido até mesmo pela falta de formação adequada da grande maioria desses servidores públicos. Criou-se, assim, a famigerada “economia do contracheque”.
Mas essa conclusão poderia nos conduzir a outra indagação: sim, mas isso se dava quando o Amapá era território. E agora, por que ainda persiste, em pleno ano de 2012, esse “modelo econômico”? Talvez seja porque houve apenas uma mudança no plano político-administrativo, mas não no cultural. Em resumo, o Amapá não se emancipou de fato, mas apenas de direito e continua a se comportar como “o filho caçula completamente dependente dos pais” e que, ao que parece, jamais abandonará as benesses da casa paterna.
Se o restante do país pouco ou nada sabe a respeito do Estado do Amapá, a recíproca é completamente verdadeira. Fazendo uso de números arredondados, posso afirmar sem medo de cometer qualquer injustiça que mais de 70% dos amapaenses jamais saíram dos limites de seu Estado; da outra parcela restante, 20% não passaram de Belém e apenas 10% já estiveram em outras regiões brasileiras. Compõem essa insigne parcela de bem-aventurados, os políticos e a oligarquia amapaense, que nos remete às lembranças da época feudal. Por aqui, as famílias tradicionais têm seus espaços devidamente delineados, seja no controle político, econômico, jurídico ou dos meios de produção (a terra, principalmente).
'Forasteiros'
Ainda falando sobre o plano cultural, para pessoas oriundas de outros Estados, assim como eu, ouvir por parte dos amapaenses que “odeia esse povo que vem de fora roubar nossos empregos” é tão corriqueiro quanto o açaí na mesa do almoço. Isso já se tornou música aos meus ouvidos, mesmo que em princípio me chateasse bastante. Fora um sem número de vezes que tive que repetir, aquilo que acabou tornando-se um chavão: “Eu não roubei emprego de ninguém. Fiz um concurso e passei”. Aquilo que a priori era indignação pessoal acabou se cambiando para uma espécie de piedade, principalmente depois que tomei maior contato com o jeito de ser do povo daqui, como bem diz a letra de uma música de um cantor da terra. Tão preocupados estão em “se dar bem, valendo-se da lei do menor esforço”, abominam tudo aquilo que exige suor para ser conquistado ou àqueles que já compreenderam que numa sociedade capitalista impiedosa e excludente “jacaré parado vira bolsa”. Até mesmo socialistas como nós temos que lutar para sobreviver, valendo-se do capitalismo para poder combatê-lo.
No campo político, tal insignificância persiste. O Amapá é o Estado que possui o menor colégio eleitoral brasileiro. Assim, o Sr. Lula, por

"A Sra. Dilma talvez tenha aparecido ao menos duas vezes: na campanha, para dar uma força para seu aliado político José Sarney e na entrega de alguns apartamentos, cuja construção fora financiada pelo PAC"

exemplo, nos seus oito anos como presidente da República foi mais vezes ao Irã que veio ao Amapá. A Sra. Dilma talvez tenha aparecido ao menos duas vezes: na campanha, para dar uma força para seu aliado político José Sarney e na entrega de alguns apartamentos, cuja construção fora financiada pelo PAC. Aliás, o mencionado senador é adorado por muitos por aqui como uma espécie de semideus, mostrando, desta feita, o quanto o acesso ao conhecimento sobre o país chamado Brasil continua insigne e o quanto o Amapá se encontra isolado do resto da Nação não apenas no campo geográfico, como também no campo do conhecimento histórico: ninguém sabe dizer como foram os anos de presidente do Sr. José Sarney ou sabe de sua história antes de aqui chegar. Segundo narra boa parte até mesmo dos amapaenses mais humildes, a primeira campanha do Sr. José Sarney para o senado, assim que deixou a presidência, foi por videoconferência, ou seja, o candidato sequer se deu ao “trabalho” de vir por aqui para apresentar pessoalmente suas propostas para o Estado. Não obstante e apesar disso, foi eleito.
Sob a batuta do “ilustre senador”, a imensa maioria dos políticos locais age como se aqui fosse uma republiqueta à parte. Não é à toa que este Estado aparece constantemente na mídia como um antro de corrupção. O pior é que não se dão nem ao trabalho de esconder vossos atos ilícitos, inculcando na cabeça do povo que tudo “é normal, pois acontece também no restante do Brasil”. Como a formação da imensa maioria da população é algo que beira a mediocridade, tudo que eles dizem é acatado como dogmas, até mesmo porque boa parte da população se encontra atrelada politicamente a esses “representantes do povo”, na mesma proporção que uma prostituta se encontra dependente de seu cafetão. Desta feita, somos levados a crer que o principal produto de importação do nosso querido Amapá é o óleo de peroba, porque haja cara-de-pau. E quando se começa a criticar tal situação, aparece logo um fulano pra dizer: “se no teu Estado é tão bom, por que não volta pra lá?” Novamente me vejo forçado a exercitar minha piedade.
Q.I.
Afora aqueles que são concursados, nada aqui mais gira que não seja pelo alto Q.I. (quem indicou). Até mesmo na educação – que ainda não conta com gestão democrática- não é difícil nos depararmos com diretores completamente despreparados; aqueles que podemos chamar de analfabetos funcionais. Sobre os professores que se encarregam da formação básica no Estado (1º ao 4ª ano), na sua maioria sequer possui graduação, comprometendo sobremaneira o trabalho de professores, assim como eu, que trabalham com o Ensino Médio e, por efeito cascata, a formação acadêmica.
A falta de perspectiva de vida também é algo gritante. A grande maioria dos alunos com a qual trabalhei nesse tempo só tinha ou só tem como meta terminar o ensino médio. Não é nada difícil encontrá-los trabalhando em pequenas empresas como vendedores, em troca de uma mísera comissão (sem salário fixo), de domingo a domingo e sem registro em carteira - o que é algo muito normal por aqui. Um regime de trabalho semiescravo, onde os direitos historicamente garantidos ao trabalhador são completamente ignorados. Sinceramente, não sei por onde anda ou o que está fazendo a fiscalização do Ministério do Trabalho, no Amapá.

"O Amapá é um Estado que o governo central entregou nas mãos do Sr. José Sarney, como uma espécie de “prêmio”, devido aos seus grandes “préstimos” ao Brasil"

Por fim, diante do exposto cheguei nesses mais de seis anos à seguinte conclusão final: O Amapá é um Estado que o governo central entregou nas mãos do Sr. José Sarney, como uma espécie de “prêmio”, devido aos seus grandes “préstimos” ao Brasil. Como já dissemos anteriormente, uma espécie de um filho caçula, cujos pais não conseguem educá-lo e o entrega às mãos de um tutor, encarregando-se tão somente de cobrir-lhe todas as despesas em troca do prazer de não ter que se responsabilizarem pelo destino do mesmo.
Dinheiro federal é jogado a rodo aqui, mas que não reflete em nada na melhoria de qualidade de vida do povo amapaense, que é um verdadeiro caos para a imensa maioria. Creio que os ilustres leitores, nesse exato momento, estejam fazendo uma comparação com o Estado do Maranhão o que, de forma alguma, seria um equívoco. Quem banca tudo isso? São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, etc. E pelo que percebo assim será até o dia do tão esperado Juízo Final.
No meu caso específico, vivo em um município chamado Santana, com mais de 100 mil habitantes na zona urbana. O fato de se gabar por ser o segundo município “mais desenvolvido” do Estado destoa completamente com os fatos da realidade: menos de 5% da cidade conta com rede de esgoto; mais de 80% das propriedades não são tituladas, ou seja, por direito ainda pertencem ao poder público, complicando sobremaneira qualquer tentativa de financiamento na CEF para aquisição da casa própria; o lixo produzido ainda possui como endereço a lixeira pública a céu aberto; por aqui, ou se habitua aos urubus e aos ratos que estão a todo tempo pelas portas das casas, ou é melhor que nem venha fundar residência por essas bandas.


Cleiton Rodolfo Leite é professor (concursado), graduado em filosofia pela PUC-GO

ATENÇÃO

A Transparência Amapá vem a público divulgar que o nº798 foi o vencedor da rifa de um IPED 2 32 gb Apple Wi-Fi 3G Branco.
Cabe ainda esclarecer que a Caixa Econômica transferiu os sorteios das sextas para as quartas-feiras. Desta forma, considerou-se o sorteio da quarta mais próxima que foi dia 28/03/2012.
A Amapá Transparência agradece à todos pela colaboração e parabeniza a pessoa sorteada!